sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SEM DEIXAR PARA AMANHÃ


A vida sempre surpreende. Ou talvez se deva dizer que a morte surpreende a vida? Afinal, ela sempre aparece num momento inoportuno.
Quando estamos para nos reformarmos e gozar do que consideramos um merecido descanso. Ou quando estamos nos preparando para o casamento.
Ou, ainda, quando acabamos de passar por um concurso que nos garantiria uma carreira de sucesso.
Por isso mesmo, nunca devemos deixar para amanhã as declarações de afecto. Por vezes, tivemos um professor que nos influenciou muito e realmente deu sentido, propósito e direcção à nossa vida. Entretanto, nunca reservamos um tempo para lhe agradecer.
De repente, ele morre e ficamos a pensar: "meu Deus, ao menos eu deveria ter-lhe escrito uma carta."
De outras vezes, chateamo-nos com alguém e punimos a pessoa com o nosso silêncio. Passam-se os dias, os meses, os anos. E continuamos com a punição. Aí a pessoa morre. O que acontece? Quase sempre o remorso nos alcança e começamos a cogitar: "eu devia ter falado com ela."
Para compensar a nossa culpa, vamos à florista e compramos muitas flores, para enfeitar o caixão, a capela mortuária, o túmulo. Teria sido muito mais compensador ter comprado algumas flores antes, um pequeno ramalhete e ter tentado fazer as pazes. Reatar o relacionamento. É até possível que a pessoa rejeitasse as flores, as jogasse no chão. E nos virasse as costas. Mas, então, o problema não seria mais nosso, mas exclusivamente dela. Não permitamos que a morte arrebate a chance de dizermos o quanto amamos as pessoas que nos amam, cuidam de nós, nos protegem, amparam e guardam. O quanto elas são importantes para nós. Pode ser uma avó, um irmão, um amigo íntimo, ou até um namorado ou companheiro. Mesmo que outro alguém tenha insinuado que parecemos tolos quando ficamos afirmando a intensidade do nosso amor, da nossa amizade e da nossa ternura.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

QUANDO...


Quando as horas de desgosto e desalento que me invadem a alma e as lágrimas que surgem nos meus olhos, devo-me lembrar das palavras que me dizem, mas que são só palavras, não actos, pois essas palavras leva-as o vento.
E quando eu me sentir incompreendido pelos que me rodeiam, sou na maioria dos casos, e perceber que a indiferença ronda à sua volta, devo fazer ver às pessoas a pureza das minhas intenções e a nobreza dos meus sentimentos. Mas até nisso já não acreditam.
Quando o ânimo para suportar as vicissitudes da vida que está em mim prestes a se extinguir em que eu estou prestes a desfalecer, quem devo chamar, para me ajudar a ter forças para ser capaz de remover as pedras dos caminhos e ajudar-me a superar as adversidades do mundo?
Onde encontrar um refúgio seguro, em cujo seio eu encontrarei guarida para o meu corpo e tranquilidade para o meu espírito?
Quando me faltar a calma nos momentos de maior aflição e, como agora e me considerar incapaz de conservar a serenidade de espírito, quem me ajuda a vencer os transes mais dolorosos e a triunfar nas situações mais difíceis?
As dores que se abatem sobre o meu corpo que me fazem sentir a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, quem estará disposto a ser o meu bálsamo que cicatriza as chagas e minora os padecimentos?
Quando o mundo, as pessoas me iludirem com promessas falsas e eu perceber que ninguém assume responsabilidades, quem será capaz de ser sincero e saber corresponder à franqueza das minhas atitudes e à nobreza dos meus ideais?
A tristeza e a melancolia que estão no meu coração e que tudo me causa aborrecimento, quem estará disposto a ser a alegria que me insufla um alento novo e me faz conhecer os encantos do seu mundo interior?
Quando os meus ideais mais belos se começarem a perder e eu me sentir no auge do desespero, quem será que estará disposto a ser a esperança para que me robusteça a fé, a esperança e me acalente os sonhos?
Quem me ensina a esquecer a ingratidão dos homens, a hipocrisia nas relações humanas e a incompreensão do mundo?
Quem me ensina e me ajuda nestas interrogações todas?
Quando é que isto sucederá? Quando?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PROFECIA


Hoje em dia as pessoas, de um modo geral, temem muitas coisas e situações, e por isso sentem-se inseguras, só saindo de casa quando não têm remédio, porque temem a violência, o escárnio, a hipocrisia. Não fazem amigos porque temem aproximar-se de alguma pessoa indesejável.
Deixam de conhecer alguém especial por temor de estreitar laços com estranhos. Perdem oportunidades de adquirir novos conhecimentos porque temem não ter capacidade para aprender.
Evitam expor o seu verdadeiro carácter por temerem o julgamento dos outros e a não aceitação.
Não se entregam a um grande amor por medo de sofrerem. Não abrem mão de costumes e ideias enraizadas com medo de enfrentarem o que é diferente ou é novo.
Como se pode perceber, o temor é um grande obstáculo ao progresso e à felicidade do ser humano na face da Terra.
Assim, se tu és uma destas pessoas que guarda temor de alguma coisa, pensa nas muitas vantagens que terias se superasses este grande obstáculo.
Perde o medo de ser vulnerável e sente a emoção de um abraço de ternura. Perde o temor de viver o bem que já sabes e sente a leveza de uma consciência tranquila.
Perde o medo de ser simples e desfruta do prazer da verdadeira liberdade.
Perde o medo de arriscares e retira as grandes lições que trazem as derrotas.
Perde o temor de superar os teus limites e contempla os horizontes que estão além das montanhas.
Perde o medo do amanhã, e recebe de presente o hoje.
Perde o temor de dar o primeiro passo e prepara-te para a alegria da chegada.
Perde o temor de não estar sempre com a razão e aprende com a sabedoria dos outros.
Liberta-te do medo da morte e ganha a imortalidade.
Abandona a culpa e prepara-te para as alegrias de uma vida de acertos.
Perde o medo de seres feliz e prepara-te para gozar tudo o que a vida te oferece de útil e agradável.
Perde o medo de errar e prepara-te para a chegada vitoriosa.
Perde o temor das cicatrizes e rende-te ao revigorante poder do amor. Se tu sentes que o temor está sendo um entrave a parar ao teus passos, livra-te dele e verás que o horizonte ira-se abrir naturalmente.
E se, ao caminhares na direcção desse horizonte, tu perceberes que ele se afasta de ti na mesma proporção, não desanimes, pois a finalidade do horizonte é essa mesma: a de fazer com que tu caminhes para frente e para o alto. Sem temores nem incertezas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SER-SE SIMPLES

Muitas pessoas reclamam da corrida desenfreada das suas vidas, porque acham que têm compromissos demais e culpam a complexidade do mundo moderno e da sociedade em que vivem, mas inúmeras dessas pessoas multiplicam as suas tarefas sem real necessidade.
Viver com simplicidade é uma opção que se faz.
Muitas das coisas consideradas imprescindíveis à vida, na realidade, são supérfluas. A rigor, digo eu, as pessoas esquecem-se da vida em si enquanto procuram coisas, muitas delas meras utopias, porque angustiadas por múltiplos compromissos, não reflectem sobre a sua realidade íntima, e quando suplicam por aquilo que gostam, não pensam no que lhes traz paz, enquanto sufocam em buscas inúteis e vãs.
De que adianta ganhar o mundo e perder-se a si próprio.
Se o ser humano não tomar cuidado, ter e parecer podem tomar o lugar do ser.
Ninguém necessita trocar de carro constantemente, ter incontáveis sapatos, sair todos os fins de semana, etc, etc, etc.
É possível reduzir a própria agitação, conter o consumismo e redescobrir a simplicidade. O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância à sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele. A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções, porque ela experiencia a alegria de ser, apenas, não se tratando de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância, uma infância como virtude, não como estágio da vida, uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer. A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.
Os pequenos prazeres da vida, uma conversa interessante, olhar as estrelas, andar de mãos dadas, comer gelados, beber um café, etc, tudo isto compõe a simplicidade do existir.
Não é necessário ter muito dinheiro ou ser importante para se ser feliz, mas é difícil ter felicidade sem tempo para fazer o que se gosta.
Não há nada de errado com o dinheiro ou o sucesso, e é muito bom e importante trabalhar, estudar e aperfeiçoar-se, porque progredir sempre é uma necessidade humana, mas isso não implica viver angustiado, enquanto se tenta dar cabo das infinitas actividades.
Se o preço do sucesso for a ausência de paz, talvez ele não valha a pena, porque as coisas sempre ficam para trás, mais cedo ou mais tarde, existindo tesouros imateriais que jamais se esgotam.
As amizades genuínas, um amor cultivado, a serenidade e a paz de espírito são alguns deles.
Presta atenção em como gastas o teu tempo, porque deves analisar as coisas que valorizas e verificar se muitas delas não são apenas um peso desnecessário na tua existência, e sobretudo desapegares-te dos excessos, porque deste modo ao optares por seres simples, talvez redescubras a alegria de viver.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - O que é?


O coração é um músculo formado por duas metades, a direita e a esquerda. Quando uma dessas cavidades falha como bomba, não sendo capaz de enviar adiante todo o sangue que recebe, falamos que há insuficiência cardíaca.
A Insuficiência Cardíaca (IC) não é uma doença do coração por si só. É uma incapacidade do coração efectuar as suas funções de forma adequada como consequência de outras enfermidades, do próprio coração ou de outros órgãos.
Como se desenvolve?
Existem a Insuficiência Cardíaca Aguda (ICA) e a Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). A Insuficiência Cardíaca Aguda é um acontecimento súbito e catastrófico e que ocorre devido à qualquer situação que torne o coração incapaz de uma acção eficaz.
Geralmente a Insuficiência Cardíaca Aguda é consequente a um enfarte do miocárdio, ou a uma arritmia severa do coração.
Existem ainda as Insuficiências Cardíacas Agudas provocadas por doenças não cardíacas.
Exemplo delas são a hemorragia severa, o traumatismo cerebral grave e o choque eléctrico de alta voltagem.
A Insuficiência Cardíaca Aguda é uma situação grave, exige tratamento médico de emergência, e mesmo assim é, muitas vezes, fatal.
A Insuficiência Cardíaca Congestiva pode aparecer de modo agudo mas geralmente se desenvolve gradualmente, às vezes durante anos. Sendo uma condição crónica, gera a possibilidade de adaptações do coração o que pode permitir uma vida prolongada, às vezes com alguma limitação aos seus portadores, se tratada correctamente.
As principais causas de insuficiência cardíaca são as que se seguem:


Doenças que podem alterar a contractilidade do coração. A causa mais frequente é a doença arteriosclerótica do coração.

Doenças que exigem um esforço maior do músculo cardíaco. É o que ocorre na hipertensão arterial ou na estenose (estreitamento) da válvula aórtica que, com o tempo, podem levar à Insuficiência Cardíaca Congestiva do ventrículo esquerdo. Doenças pulmonares como o enfisema podem aumentar a resistência para a parte direita do coração e eventualmente levar à Insuficiência Cardíaca Congestiva do ventrículo direito.

Doenças que podem fazer com que uma quantidade maior de sangue retorne ao coração, como o hipertireoidismo, a anemia severa e as doenças congénitas do coração. A insuficiência de válvulas (quando não fecham bem) pode fazer com que uma quantidade de sangue maior reflua para dentro das cavidades e o coração poderá descompensar por ser incapaz de bombear o excesso de oferta.
As manifestações de Insuficiência Cardíaca Congestiva variam conforme a natureza do stress ao qual o coração é submetido, da sua resposta, bem como de qual dos ventrículos está mais envolvido. O ventrículo esquerdo costuma falhar antes do direito, mas às vezes os dois estão insuficientes simultaneamente.

O que se sente?
Falhando o ventrículo esquerdo, o território que congestiona é o pulmonar. Isso explica a falta de ar, que de início surge aos grandes esforços, depois aos médios, terminando pela falta de ar mesmo em repouso. Com a piora surge a ortopnéia, a falta de ar quando deitado. A pessoa pode acordar durante a noite devido a falta de ar o que a obriga a sentar para obter algum alívio. É a dispnéia paroxística nocturna. Isso pode evoluir ainda para um quadro ainda mais grave de descompensação esquerda denominado de edema agudo de pulmão, grave, e que termina em morte se não tratado de urgência.
Falhando o ventrículo direito surge o edema, ou o inchaço, principalmente das pernas e do fígado, além de outros órgãos, tudo provocado pelo acúmulo de líquidos nesses órgãos.

Como o médico faz o diagnóstico?
O médico faz o diagnóstico através de um exame clínico:
*Ausculta cardíaca (sopros)
*Ausculta pulmonar (chiado)
*Edema das pernas
Pode, ainda, utilizar exames complementares como:
*Radiografia de tórax (que visualiza o aumento do coração).
*Ecocardiografia (que mostra o coração em funcionamento, podendo ser visualizada a insuficiência cardíaca mais detalhadamente), entre outros.

Como se trata?
Há a necessidade de tratar, se possível, a doença subjacente que desencadeou a Insuficiência Cardíaca Congestiva. Como exemplo, temos a estenose da válvula aórtica ou mitral, e a hipertensão arterial.
Deve-se também tratar o coração insuficiente. Para isso, restringe-se a ingestão de sal. É aconselhável emagrecer. Usam-se medicamentos chamados diuréticos, além de outros que agem directamente no músculo cardíaco ou que corrigem as arritmias existentes.
Com essas medidas, um médico consegue prolongar por anos a vida de um paciente acometido de Insuficiência Cardíaca Congestiva.
Poderá haver necessidade de transplante cardíaco como última solução.

DOENÇAS CARDÍACAS - Factores de Risco


O que é?
São condições que predispõem uma pessoa a maior risco de desenvolver doenças do coração e dos vasos.
Existem diversos factores de risco para doenças cardiovasculares, os quais podem ser divididos em imutáveis e mutáveis.
Factores imutáveis
São factores imutáveis aqueles que não podemos mudar e por isso não podemos tratá-los. São eles :
Hereditários:
Os filhos de pessoas com doenças cardiovasculares tem uma maior propensão para desenvolverem doenças desse grupo. Descendentes de raça negra são mais propensos a hipertensão arterial e neles ela costuma ter um curso mais severo.
Idade:
Quatro entre cincos pessoas acometidas de doenças cardiovasculares estão acima dos 65 anos. Entre as mulheres idosas, aquelas que tiverem um ataque cardíaco terão uma chance dupla de morrer em poucas semanas.
Sexo:
Os homens tem maiores chances de ter um ataque cardíaco e os seus ataques ocorrem numa faixa etária menor. Mesmo depois da menopausa, quando a taxa das mulheres aumenta, ela nunca é tão elevada como a dos homens.
Factores mutáveis
São os factores sobre os quais podemos influir, mudando, prevenindo ou tratando.
Fumo:
O risco de um ataque cardíaco num fumador é duas vezes maior do que num não fumante. O fumador tem uma chance duas a quatro vezes maior de morrer subitamente do que um não fumador. Os fumadores passivos também têm o risco de um ataque cardíaco aumentado.
Colesterol elevado:
Os riscos de doença do coração aumentam na medida que os níveis de colesterol estão mais elevados no sangue. Junto a outros factores de risco como pressão arterial elevada e fumo esse risco é ainda maior. Esse factor de risco é agravado pela idade, sexo e dieta.
Pressão arterial elevada:
Para manter a pressão elevada, o coração realiza um trabalho maior, com isso vai hipertrofiando o músculo cardíaco, que se dilata e fica mais fraco com o tempo, aumentando os riscos de um ataque. A elevação da pressão também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral, de lesão nos rins e de insuficiência cardíaca. O risco de um ataque num hipertenso aumenta várias vezes, junto com o cigarro, o diabete, a obesidade e o colesterol elevado.
Vida sedentária:
A falta de actividade física é outro factor de risco para doença das coronárias. Exercícios físicos regulares, moderados a vigorosos tem um importante papel em evitar doenças cardiovasculares. Mesmo os exercícios moderados, desde que feitos com regularidade são benéficos, contudo os mais intensos são mais indicados. A actividade física também previne a obesidade, a hipertensão, o diabete e abaixa o colesterol.
Obesidade:
O excesso de peso tem uma maior probabilidade de provocar um acidente vascular cerebral ou doença cardíaca, mesmo na ausência de outros factores de risco. A obesidade exige um maior esforço do coração além de estar relacionada com doença das coronárias, pressão arterial, colesterol elevado e diabete. Diminuir de 5 a 10 quilos no peso já reduz o risco de doença cardiovascular.
Diabete melito:
O diabete é um sério factor de risco para doença cardiovascular. Mesmo se o açúcar no sangue estiver sob controle, o diabete aumenta significativamente o risco de doença cardiovascular e cerebral. Dois terços das pessoas com diabete morrem das complicações cardíacas ou cerebrais provocadas. Na presença do diabete, os outros factores de risco se tornam mais significativos e ameaçadores.
Anticoncepcionais orais:
Os actuais ACOs têm pequenas doses de harmónios e os riscos de doenças cardiovasculares são praticamente nulos para a maioria das mulheres. Fumadoras, hipertensas ou diabéticas não devem usar anticoncepcionais orais por aumentar em muito o risco de doenças cardiovasculares.
Existem outros factores que são citados como podendo influenciar negativamente os factores já citados. Por exemplo, estar constantemente sob tensão emocional (stress) pode fazer com que uma pessoa coma mais, fume mais e tenha a sua pressão elevada. Certos medicamentos podem ter efeitos semelhantes, por exemplo, a cortisona, os anti-inflamatórios e os harmónios sexuais masculinos e seus derivados.

sábado, 8 de agosto de 2009

POBRES DE ESPÍRITO


Numa certa passagem do Evangelho, existe a seguinte afirmação proferida por Jesus: "Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus".
Esta afirmativa costuma ainda, apesar de estarmos no século XXI, ser mal compreendida, porque se imagina que pobre de espírito é o simplório ou o ignorante.
Assim, o melhor modo de garantir o céu seria permanecer na ignorância.
O desenvolvimento intelectual poderia trazer prejuízo para a salvação espiritual, sendo que o candidato à futura felicidade faria bem em continuar tosco e iletrado.
Muitas outras passagens do Evangelho elucidam a importância de colaborar na construção de um mundo melhor, porque quanto mais recursos um ser humano movimentar, mais apto ele se encontra para influenciar positivamente a sociedade. Um ser humano, deve ser um cristão que seja o sal da Terra e a luz do Mundo, mas isto é impossível se ele estiver em estado total de ignorância, e para que ele ilumine é necessário não estar nas trevas da falta de conhecimento. A inteligência, a palavra bem-posta e a educação são meios preciosos para influenciar positivamente a vida dos nossos semelhantes, e nenhum talento deve ser desperdiçado, pois todos representam bênçãos divinas em favor da humanidade. O homem inteligente tem a missão de esclarecer e conduzir os irmãos de caminhada por caminhos de paz e bem-estar, e por isso afirmo categoricamente que a ignorância não constitui um estado ideal e meritório, porque toda a ignorância deve ser esclarecida e toda a inteligência precisa ser cultivada, e deste modo, o termo "pobre de espírito" não se refere a alguém tosco ou iletrado.
No contexto dos ensinamentos que os evangelhos nos dão, "pobre de espírito" possui o sentido de pessoa humilde, sendo que a humildade é apontada como condição para acesso à felicidade e à realização pessoal.
O Universo é demasiado amplo e magnífico para ser totalmente explicado pelo pouco que a humanidade já logrou apreender, e existem preciosas lições a serem aprendidas, mas elas exigem humildade.
Jamais devemos alimentar qualquer ilusão de superioridade.
A humildade vai-nos possibilitar agir com compaixão, pois nos fará perceber e entender o próximo como um igual se ele for digno da nossa confiança, honrado e merecedor do nosso trabalho e esforço, e não continuar a agir como um hipócrita.

INVEJA


A inveja é um sentimento inferior que se traduz pelo desejo da pessoa ser o que o outro é, ou possuir o que o outro detém.
É comum invejarem-se as pessoas ricas, famosas, as que têm poder.
O que não se analisa, nem se analisa é que a riqueza, a fama e os postos de comando têm um preço.
Vendo as personagens que invejamos desfilarem nas páginas das revistas ricamente ilustradas, ou nas imagens televisivas, constatamos somente a parte boa, o lado positivo.
As pessoas famosas, entretanto, não conseguem ter vida particular e nem realizar coisas simples, que desejariam.
Dramas familiares, que desejariam que ficassem guardados entre as paredes do lar, logo se tornam notícia do domínio público. Já pensamos como se sentiram aqueles, que porventura, tiveram na comunicação social a filha que se envolveu com drogas, ou o filho que se prostituiu? Nos momentos de luto e dor, nem podem expressar toda a sua verdadeira dor, porque as câmeras de televisão estão a focá-los, os microfones estão a postos para tudo registar e captar.
A sua vida é do interesse da sociedade, e todos querem ver, falar, opinar, tocar.
Antes de invejarmos a vida do outro, o cargo, o poder, a riqueza, pensemos se teríamos condições de suportar e pagar o preço que é exigido, porque a fama, a riqueza, o poder não são meras circunstâncias na vida, sendo meras provações ou expiações para o espírito, tanto quanto o anonimato e a pobreza, e também porque todas são etapas de crescimento e de progresso e cada um, onde quer que esteja, delas se deve utilizar com sabedoria, extraindo toda a experiência que oferecem. Cada um de nós está colocado no lugar exacto, e não existe ninguém que esteja recebendo o que não merece. Enquanto nos colocamos na posição de invejosos, sonhando e desejando ardentemente o que os outros usufruem, esquecemo-nos de valorizar o que possuímos e o que somos, esquecemo-nos de quem realmente nos ama desinteressadamente, cuida, protege, ampara e nos guarda, das bênçãos da família que nos sustenta afectivamente, do emprego que nos permite aprendizagem e nos garante o salário da honra.

TENTAÇÕES


Tentação é uma palavra que traz em si mesma uma ideia temível.
Quase sempre que este termo é pronunciado os nossos gestos são de repulsa. No entanto, a tentação é o recurso que a sabedoria emprega para nos dar o conhecimento de nós mesmos.
Se o dinheiro não nos sugerisse a busca desenfreada do prazer e da satisfação dos sentidos e se não lhe opuséssemos o travão do discernimento, como poderíamos saber que ele deve ser utilizado para a criação das alegrias nobres que nos enriquecem a alma?
Se o mal não nos convidasse algum dia a cultivar-lhe os desequilíbrios e se não lhe resistíssemos aos impulsos, de que maneira aprenderíamos que o bem deve ser incorporado no nosso campo para ser usado naturalmente por nós como o ar que respiramos?
Quando somos cegos ou paralíticos já vivemos sob um regime de bloqueio transitório entre a força da vida e ninguém pode imaginar, de imediato, o que faríamos da luz ou do movimento, se os tivéssemos ao nosso dispor.
Assim é que ninguém se faz claramente conhecido enquanto está limitado por alguma força natural.
Somente quando a tentação nos encontra aptos a aceitar ou não o seu convite, é que poderemos saber, verdadeiramente, o que já somos, e o que nos cabe fazer.
A filosofia da tentação, é inteiramente baseada nos nossos senãos morais.
E só seremos tentados naquilo que ainda possa despertar em nós o desejo de aceitar o convite, seja ele qual for.
A tentação só pode representar perigo em quem encontrar pontos de contacto, e se já eliminamos de nossa intimidade os possíveis pontos de contacto, então não seremos mais tentados, por mais que se apresentem os incentivos. Achamo-nos todos em evolução, e por conseguinte, sujeitos às tentações que nos chegam directamente ou por tabela, mas cabe a cada um de nós saber superá-las para crescer e nos elevarmos.
Sem as tentações é impossível a tarefa da perfeição, porque precisamos delas para saber exactamente em que ponto ainda somos vulneráveis e o que devemos fazer para eliminar esse ponto.
Fazendo pequenos esforços atingiremos vencer em nós mesmo as más tendências que nos levam a resvalar nos precipícios dos vícios e de outros desequilíbrios, porque cruzaremos o mar agitado dos chamamentos menos felizes, sem nos deixarmos afundar nas ondas deprimentes que nos tentam fazer quebrar.
Fazendo pequenos esforços, deixaremos de tomar os estreitos e tortuosos caminhos das ilusões, que nos levam aos sofrimentos, para seguirmos pela larga avenida iluminada que nos conduzirá à felicidade desejada e sonhada, felicidade suprema que todos almejamos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PENSAMENTO DO DIA


Somente o conhecimento da verdade nos fará livres, livres de tantas esquisitices e fórmulas sem sentido que só nos retardam o acesso à felicidade que tanto desejamos, porque em vez de optarmos pelo conhecimento das coisas com fé, coragem e determinação sem vacilarmos e enterrarmos de vez o passado, vivemos da crença cega, que nos leva a grandes decepções e desilusões.